18.7.12

Espécie do mês - Tuco-tuco

Se um dia você caminhar pelas praias do estado do Rio Grande do Sul, tenha cuidado onde você pisa. Quando você menos esperar, pode pisar numa toca de um roedorzinho típico daquela região: o tuco-tuco.


Existem cerca de 60 espécies de tucos catalogadas, todas ocorrendo na América do Sul e pertencentes ao gênero Ctenomys. No Brasil são reconhecidas oito espécies deste roedor. No entanto, existe uma confusão taxonômica entre essas espécies e acredita-se que, na verdade, existam cinco espécies brasileiras. Quatro delas ocorrem no Rio Grande do Sul e uma em Santa Catarina.

Esses animaizinhos constroem galerias subterrâneas de até 15 metros de comprimento e pouco profundas, acompanhando as raízes da vegetação. Dependendo da espécie de tuco-tuco, os túneis podem se localizar na primeira linha de dunas nas praias ou no meio dos pampas sulinos. Os tucos possuem hábitos solitários, vivendo sozinho em sua galeria. Ao construir essas tocas, os tucos conseguem criar um ambiente favorável para eles, com temperatura mais amena e sem muitas variações ambientais, se comparado com o ambiente externo; isso é bom principalmente com os tucos que vivem em praias.

E, por viver em galerias subterrâneas, esse animal possui seu corpo todo adaptado a esse habitat. Ele possui a cauda pequena e redução das orelhas. Ao mesmo tempo, suas unhas e musculatura das patas são muito desenvolvidas, próprias para a escavação das tocas. 

Os tucos possuem fortes dentes incisivos e alimentam-se de gramíneas e raízes. Na maioria das vezes, o tuco-tuco nem sai da toca para se alimentar: ingere os vegetais que crescem perto da porta de sua casinha.

Tuco-tuco
Um fato muito curioso com essas espécies de roedores (principalmente com o Ctenomys minutus) é a grande variação do número de cromossomos entre os indivíduos de uma mesma espécie. Esse  fato faz dos tucos um alvo para o estudo da evolução das espécies, onde é possível estudar a especiação destes animais. 


Percebeu-se que espécies diferentes de tuco-tuco estão cruzando entre si, após anos de isolamento geográfico. Esse ato pode levar à formação de uma única espécie, ao invés das duas anteriores. Por isso, biólogos que estudam a variação cromossômica entre os tucos acreditam que essa variação dentro das populações é um sinal de um processo de especiação que está ocorrendo por causa destes cruzamentos.

Os tucos-tucos são presas de aves de rapina, cobras, felinos e canídeos (tanto selvagens quanto domésticos). Quando ameaçado, o macho emite um som bem característico, que inspirou o nome da espécie.

E não é somente os animais que oferecem risco ao tuco. A alteração dos campos sulinos para a pecuária, plantação de soja e eucalipto comprometem o habitat desse animalzinho. No caso dos tucos praianos, a urbanização das primeiras faixas de dunas também altera o local onde os tucos fazem suas galerias, afugentando ou até mesmo exterminando os bichinhos do local. Por esse motivo, é essencial um estudo da ocorrência do tuco-tuco tanto nos campo quanto nas praias, além de projetos de ocupação que respeitem esse roedor pouco conhecido da fauna brasileira.

Para saber mais sobre o tuco-tuco e as pesquisas que estão sendo feitas, acesse o site do Projeto tuco-tuco, da UFRGS.

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