3.6.12

Modalidades de EA #1 - Educação Ambiental Formal

Outro dia falamos sobre Educação Ambiental: o papel dela no mundo e como ela pode ser apresentada para nós

http://caminhosparaasustentabilidade.blogspot.com.br/2010/02/educacao-ambiental-escola-construindo_09.htmlEla não precisa ser chata, insistente e cansativa. Afinal, sua função é educar sobre a preservação do planeta e como o desenvolvimento econômico e tecnológico do ser humano pode coexistir com ele. Se toda essa mensagem for passada sem um cuidado para prender a atenção do expectador, deixando tudo muito maçante, o resultado final será desastroso, sem alcançar as metas planejadas.

Para que isso não aconteça, a Educação Ambiental dispõe de algumas modalidades: formal, não-formal e informal. Cada uma possui um público-alvo, uma metodologia própria, mas a mesma mensagem: preservação da natureza.


A Educação Ambiental Formal

Chama-se Educação Ambiental Formal ou Escolar qualquer forma de educação ambiental que ocorre dentro de um ambiente escolar. A disciplina básica para ocorrer a EA na escola é, sem dúvida, Ciências/Biologia.

Nessas aulas, o aluno aprende toda a grandeza e diversidade do planeta onde vive. Aprende do que ele é formado, quem mais habita nele, como tudo funciona. Aprende sobre seu corpo e como cuidar de sua saúde.

Em meio a todo esse "mar" de conteúdos, sempre é possível chegar ao assunto da conservação ambiental. Estudando as plantas, pode-se falar de desmatamento; viroses, de saneamento básico e poluição da água e do solo. Sempre um assunto puxa outro, e outro, e outro. O professor sempre pode fazer seus ganchos para os assunto de conservação.

Esses "ganchos" mostram uma característica muito importante da Educação Ambiental Formal: a interdisciplinaridade. Abordar os temas ambientais em vários conteúdos e, principalmente, em várias disciplinas é essencial para o sucesso da Educação Ambiental numa escola.

Ler e interpretar um texto que fale sobre conservação nas aulas de Língua Portuguesa, resolver problemas de Matemática com alguma coisa a ver com natureza. A Educação Ambiental na escola não precisa ser uma repetição insistente de muita coisa que se vê nas aulas de Biologia. O aluno pode ter educação ambiental em mínimos detalhes, talvez onde ele nem perceba.


Um palestra, um dia de campo, passeio, plantio de árvores ou mesmo de uma horta comunitária. Todas essas ações são motivos para despertar nos alunos uma consciência de preservação do meio ambiente. Não precisa ficar apenas nas aulas ou em atividades em datas específicas, como o Dia da Água, do Meio Ambiente ou da Árvore. Essa mensagem tem que ser passada todo dia, mesmo que não se perceba de início.

O que realmente importa é o que cada aluno irá guardar para si. Guardar aquela mensagem da importância do meio ambiente para ele e que por causa disso o planeta deve ser conservado.


  • No último dia 14 de maio foi publicado no Diário Oficial da União a Lei n° 12.633, que institui o dia de hoje (03/06) como o Dia Nacional da Educação Ambiental. Vamos, mais uma vez, reforçar a importância desta prática educativa essencial para a salvação do planeta e da vida que nele habita...



2.6.12

Conferências de Meio Ambiente #1 - Estocolmo-72

A Rio+20 está chegando! Daqui a alguns dias milhares de pessoas irão discutir sobre a economia verde, governança e desenvolvimento sustentável. Além da Conferência principal, outros eventos paralelos, como a Cúpula dos Povos, também ocorrerão. São muitas conferências, eventos, mas como isso tudo começou? O que levou representantes de governos a se reunirem para discutir sobre meio ambiente e desenvolvimento?

A década de 1960 trouxe mudanças em todo o mundo: mudanças políticas, de comportamento e de visão sobre o planeta. Em 1962 Rachel Carson publicava seu livro Primavera Silenciosa. Nele, a jornalista narra as  consequências do uso do DDT e outros pesticidas. A repercussão foi enorme, deixando muitos inquietos com essas observações.

Alguns anos depois, uma delegação da Suécia leva até a ONU suas preocupações sobre meio ambiente; essa foi uma das primeiras observações na ONU sobre o tema.

Os anos passam e muitos eventos importantes para o meio ambiente acontecem: em 1965 surgia o termo "Educação Ambiental"; em 1972 é publicando o célebre relatório do Clube de Roma Os limites do crescimento. Ele relatava que se a humanidade continuasse seu crescimento sem se preocupar com as consequências, possivelmente o planeta entraria em colapso.

Em meio a todas essas informações que surgiam, a ONU promoveu, de 5 a 16 de junho de 1972, em Estocolmo (Suécia), a Conferência da ONU sobre o Ambiente Humano ou Conferência de Estocolmo

Com a participação de 113 países, essa foi a primeira das grandes conferências sobre meio ambiente e foi marcada pela disputa do "desenvolvimento zero" dos países desenvolvidos contra o "desenvolvimento a qualquer custo" dos países subdesenvolvidos.

Foram abordados vários temas na conferência, como a chuva ácida e a poluição do ar e sempre foi mostrado que se não fosse feito nada pelo meio ambiente, as consequências seriam desastrosas.

Os países subdesenvolvidos acusavam os desenvolvidos de fazer tudo isso para barrar seu crescimento e aumentar a hegemonia dos países ricos. Tempos de Guerra Fria impulsionavam crescimentos desenfreados e os países pobres queriam se mostrar ao mundo, mesmo que isso custasse seu ambiente. Por falar em Guerra Fria, países socialistas não participaram do evento.

Enfim, depois de muitas discussões, foi elaborado a Declaração de Estocolmo. Esse documento traz 26 princípios e estabelece o meio ambiente como um direito fundamental de todos.

Depois de Estocolmo ainda vieram outras conferências, sempre visando a melhoria do meio ambiente, seu uso consciente e, com o tempo, a opinião de muitos países foi mudando. Não perca os próximos posts.

27.5.12

Energias Sustentáveis #3 - Biomassa

Não só de sol, água ou vento se produz energia. Em tempos de buscas por alternativas ao petróleo e das hidrelétricas, uma forma de obtenção de eletricidade vem sendo pesquisada e aperfeiçoada, a biomassa.

Entende-se como energia provinda de biomassa aquela que é produzida a partir de matéria orgânica, seja ela animal ou vegetal. Nisso estão incluídos cascas de grãos, como os de arroz, bagaço de cana, lenha, vegetais, resíduos de produtos agrícolas, excrementos de animais, etc.

A biomassa permite a obtenção de uma infinidade de produtos, seja combustíveis, energia elétrica ou calorífica. Para que isso ocorra, a biomassa deve passar por alguns processos físico-químicos, dependendo do produto final desejado:


  • Combustão direta: para transformar a energia química em calor, o material é colocado em fornos de usinas termoelétricas ou caldeiras. Embora conveniente, não é um processo muito eficiente.
  • Gaseificação: é um processo onde a biomassa é convertida de sólida a gasosa, principalmente em processos envolvendo diferenças de temperatura e/ou pressão. Pode ser utilizado para movimentação de turbinas a gás.
  • Pirólise: é a queima do material. Ao cozinhar em um fogão a lenha, você está realizando a pirólise. A queima da lenha libera calor, energia para cozinhar, por exemplo.
  • Digestão anaeróbia: é um processo onde micro-organismos decompõem a matéria orgânica, principalmente dejetos animais, na ausência de oxigênio. Esse processo é realizado principalmente nos biodigestores, onde é produzido o biogás. Esse gás, composto principalmente de metano e gás carbônico é muito utilizado na obtenção de energia elétrica.
  • Fermentação: na presença de oxigênio, micro-organismos digerem o açúcar de muitos alimentos, principalmente da cana-de-açúcar. É por esse processo que é produzido o etanol.
  • Transesterificação: é um processo em que ocorre um reação entre óleos vegetais com um metóxido ou etóxido e uma base. O produto final é o biodiesel.

No Brasil, em 2003, existiam 217 termelétricas de biomassa, perfazendo um total de 2696 MW. Muitas ainda estão em construção e planejamento. Mas os dados mostram que ainda é uma matriz energética em desenvolvimento.

Para energia elétrica em grande escala, a eficiência ainda deve melhorar muito. No entanto, a biomassa já é muito utilizada no caso dos biocombustíveis e do biogás - que vem sendo implementado em fazendas, para a obtenção de energia elétrica.


  • Mas, o que ela tem de sustentável?

Em questão de carbono emitido, admite-se que a energia por biomassa gera carbono zero. Um vez que o carbono que a queima, ou qualquer um dos processos a que se submete a biomassa, emite é o que a planta havia absorvido. Portanto não há aumento na taxa de dióxido de carbono na atmosfera. Além disso, outros vegetais podem neutralizar essas emissões.

Além de ser renovável - sempre haverão resíduos e plantações -, a energia obtida a partir da biomassa emite pouquíssimos poluentes e reaproveita resíduos, diminuindo poluições, como as oriundas do esterco animal.

Ela também contribui para o aumento de empregos no campo, pois plantações, como as de cana, vão precisar de mão-de-obra para as mais diversas funções. No entanto, nesses pontos também residem algumas das principais preocupações dessa modalidade.

Para que a biomassa figure como uma energia limpa e sustentável, deve-se haver o respeito às áreas naturais. O estímulo à plantações para obtenção de energia pode desencadear um desmatamento desenfreado, gerando perdas incontáveis para todo o ecossistema.

Além disso, deve-se buscar melhorias nas culturas, para que não seja como a clássica imagem de uma colheita de cana: o boia-fria correndo inúmeros riscos, sem segurança nenhuma, no meio da queima do canavial.

Para a biomassa ser eficiente na sustentabilidade que ela vem prometendo, muita pesquisa tem que ser feita. Aos poucos ela vem se mostrando muito importante para um futuro que promete usar cada vez menos os derivados de petróleo. E, como sempre, para alcançar seus objetivos basta olhar com atenção para o mundo natural. Respeitar aquele que dará os materiais que gerará a energia de que você necessita.


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FONTE: Atlas Energético da Aneel - Biomassa

26.5.12

E como ficamos agora?

Ontem foi divulgado a decisão da presidenta Dilma sobre o texto do Código Florestal. Quando muitos esperavam um veto total da presidenta, o que tivemos foram vetos de 12 artigos e 32 modificações no texto aprovado pela Câmara.

Será que precisaremos do Barbárvore
para dar um jeito nisso?
Fonte: Mundo Nerd
Ainda não é o que os ambientalistas esperavam, está longe disso. No entanto, pelo menos, foi vetado o artigo que conferia a anistia aos desmatadores.

Mas até onde essas modificações chegam é uma coisa para sabermos segunda-feira (28/05), quando será publicado no Diário Oficial da União quais são essas modificações. Depois de tudo isso, ainda resta a passagem das modificações do Planalto pelo Congresso, que pode vetar as modificações propostas.

Com isso, ficamos meio sem saber o fim dessa história toda. Embora a Dilma tenha se mostrado contra a anistia a desmatadores, proteção de APPs e mesmo assim ajudar o pequeno produtor, tudo isso ainda pode ir por água abaixo caso a bancada ruralista continue com a sua opinião. 

Do fundo do coração, espero que não seja armada uma briga desnecessária e que no fim das contas, a preservação do meio ambiente brasileiro ocorra. Em tempos de Rio+20, o Brasil querendo ser exemplo para o mundo, isso não pode acontecer. Basta conhecer, é isso. Existem muitas formas do país se manter como grande produtor de alimentos sem acabar com a vegetação. Basta saber quais são elas e colocá-las em prática.

O G1 faz um resumo bem legal sobre toda essa história:




20.5.12

Cúpula dos Povos: a voz do povo na Rio+20

Junho está chegando e com ele a expectativa do que vai acontecer na Rio+20. Muita coisa vem sendo dita e programada, além da esperança de que algo seja feito em prol do meio ambiente. Paralelo a esse grande evento ocorrerá a Cúpula dos Povos, outro evento onde a população poderá mostrar seus anseios e indignações sobre assuntos que estão no dia-a-dia das pessoas e que muitos não dão a mínima.

Acontecendo paralela e independente da conferência da ONU, durante os dias 15 a 23 de junho, o Aterro do Flamengo (RJ) receberá pessoas de mundo todo para discutir como os governos têm guiado seus países e o que eles realmente devem fazer.

A Cúpula terá três eixos básicos, que guiarão todas as discussões durante o evento:


  • Denúncias das causas estruturais das crises, das falsas soluções e das novas formas de reprodução do capital;
  • Soluções e novos paradigmas dos povos e 
  • Estímulos de organizações e movimentos sociais a articular processos de luta anticapitalista pós-Rio+20.

A Cúpula visa mostrar à sociedade as razões dos problemas ambientais e sociais presentes no mundo que, segundo Ivo Lesbaupin (da Associação de Brasileira de Organizações Não-Governamentais - Abong), não serão lembrados na Rio+20. Além disso será discutidos o atual sistema econômico, principalmente no que diz respeito à economia verde. Segundo a Cúpula, a economia verde é "insatisfatória para lidar com a crise do planeta, causada pelos modelos de produção e consumos capitalistas"

Mas não de apresentação de problemas vive a Cúpula dos Povos. Segundo Ivo, o principal eixo é o que diz respeito às soluções para esses problemas. Muitos já existem, como a agroecologia, e outros vão ser propostos. Mas nada de ficar só no papel. O objetivo desse eixo é justamente mostrar as soluções e colocá-las em ação.

Por fim, as organizações e movimentos serão motivados a agir sempre em busca de justiça socioambiental no pós-Rio+20. Durante os dias da Cúpula vários protestos e passeatas ocorrerão. Dentre elas ocorrerá um Toxic Tour pelo Rio de Janeiro, mostrando lugares e empreendimentos que afetam muito o meio ambiente.

Vale a pena participar da Cúpula. Será um momento do povo falar e ser ouvido sobre o que acha dos problemas socioambientais do mundo. E também uma chance de mostrar que o povo tem consciência, tem atitude e tem poder de mudar a realidade do planeta em que vive. Sem depender exclusivamente de governo algum...

Veja também:

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